domingo, 31 de outubro de 2010

Formas de Tradução do Verso e Formas de Traduzir em Verso (resumo de Paula e Lisandra do texto de Holmes)

Holmes usa uma expressão de Roland Barthes, “a línguagem secundária ou meta-linguagem”, para definir a linguagem usada para comentar as formulações linguísticas usadas por terceiros. Holmes, por outro lado , prefere designá-la por meta-literatura, pela sua variedade mais ampla como , por exemplo, as formas de meta-literatura à volta de poemas, sendo as seguintes as principais, ordenadas do maior para o menor grau de explicitação interpretativa exigida.
1.    Comentário crítico do poema na linguagem do poema – apesar de se ter de resolver grandes problemas de interpretação para ser válido, há a vantagem de se poder resolvê-los dentro do mesmo sistema linguístico;
2.    Comentário crítico escrito noutra linguagem – tem de ser “traduzido” para outro sistema linguístico, bem como fazer uma interpretação crítica do poema;
3.    Tradução em prosa – como o próprio nome indica, esta forma traduz o poema de qualquer forma, desde a mais literal à mais despegada. Partilha com as primeiras o facto de ser prosa e, como tal, não tem duração ou assunto específico, mas tem uma duração limitada e assunto definido;
4.    Tradução em verso(metapoema) – como todas as anteriores, esta forma tem o objectivo de interpretar o poema, mas como as formas seguintes, usa o verso como meio comunicativo e é ele próprio um poema;
5.    Imitação;
6.    Poema baseado no poema;
7.    Poema inspirado pelo poema;
As últimas três formas de meta-literatura são muito semelhantes na medida em que usam algo do poema mas estão afastadas do assunto e têm uma duração indeterminada. São também as únicas que não têm o propósito de interpretar o poema original.
Já a tradução é sempre um acto de interpretação crítica, havendo ainda as traduções que têm também o objectivo de serem poemas por direito próprio: estas enquadram-se na categoria do metapoema.
A complexidade do metapoema prende-se ao facto de o poema original e especificamente ligado à tradição poética dessa língua ter de ser traduzido, não só para outra língua, como para a tradição poética dessa língua. O problema reside na escolha da forma de verso mais apropriada em que traduzir o metapoema, pois é essencial e determinará que decisões tomar ao longo de todo o poema.
Existem quatro propostas tradicionalmente escolhidas para resolver este problema:
1.    Reter a forma do poema original – tendo em conta que não se poderá nunca traduzir para uma forma idêntica, tenta-se traduzir para uma forma fundamentalmente semelhante, ou forma mimética;
2.    Forma analógica – concentra-se na função do poema da forma do poema na sua tradição de partida e encontra outra forma que seja paralela na tradição poética da língua de chegada;
3.    Forma derivada do conteúdo/ orgânica – como o nome indica, esta forma concentra-se no conteúdo do poema, ao contrário das anteriores, que dão mais importância à forma; neste caso, o material semântico vai sendo vazado para uma forma que se transforma com o desenvolvimento da tradução.
4.    Forma desviante/estranha -- não tem minimamente em conta a forma de partida; mas claro que tem de ter o conteúdo. É o caso, por exemplo, de uma tradução de um poema convencional num poema visual.
TRANSCORVO






intradução de Augusto de Campos - 1992

Finalmente, Holmes sublinha que “existe uma relação muito próxima entre o tipo de verso escolhido pelo tradutor e o tipo de efeito total atingido pelas suas traduções”.

A Voz do Tradutor na Narrativa Traduzida (resumo do Fábio do texto de Theo Hermans)

A voz do tradutor é um meio para um fim. Como receptores, confiamos que o que o tradutor nos relata é, na íntegra, o que foi dito pelo autor. Pretende-se, então, que o tradutor assuma uma posição transparente entre o autor e o público, de modo a evitar ruído ou adulteração da mensagem pela sua presença. Assim, quando lemos a tradução de uma obra de um autor estrangeiro, acreditamos que estamos a ler a voz do autor e não a do tradutor. Por isso dizemos que lemos Dostoiévski apesar de este não ter escrito na nossa língua.

    Porém, Theo Hermans defende que na tradução narrativa não é possível apagar totalmente a presença discursiva do tradutor. Esta segunda voz, que surge da intervenção do tradutor, pode manifestar-se geralmente em três ocasiões: 1ª – quando existe o risco de o texto não ser compreendido pelo leitor implicado; 2ª – quando há manifestações de auto-reflexão ou auto-referenciação socorrendo-se do próprio meio comunicacional; 3ª- nos casos de ocorrência de multiplicidade de factores contextuais.
    No que diz respeito à primeira situação, o autor lembra que uma tradução implica uma mudança de leitor. O público alvo pode mudar geograficamente, temporalmente, socialmente, entre outras situações. E, assim, por se encontrar num contexto pragmático diferente,  leva a que o tradutor se veja obrigado, por vezes, a ter de adequar a sua tradução às necessidades deste público-alvo. Pode afirmar-se, portanto, que um texto traduzido tem na sua génese dois públicos-alvo sobrepostos em que o novo prevalece sobre o antigo. Por exemplo, na tradução de Vasco Graça Moura da Divina Comédia de Dante Alighieri, o texto traduzido vê-se acompanhado por diversas notas que explicam o significado de certos elementos que acompanham a obra. A simbologia dos seres mitológicos pode requerer notas explicativas, bem como o enquadramento de figuras e lugares citados, que existem ou existiram na realidade e que, caso se não expliquem, perde-se parte da compreensão da obra. 
    Quanto à segunda situação, esta prende-se com questões linguísticas. O texto de partida socorre-se de todo o potencial que uma língua tem para oferecer; e as línguas, claro,  não são iguais umas às outras. Assim surgem problemas de impossibilidades de tradução, como quando no texto original ocorrem jogos de palavras, polissemia, e mecanismos semelhantes. Exemplo disto são as anedotas, trocadilhos, ditados, etc. Nestas situações, a linguagem pode entrar em colapso sobre si própria, e o tradutor terá de optar por uma saída: ou recria o texto de forma a tentar preservar o sentido - e assim mantém a sua invisibilidade -, ou vê-se obrigado a recorrer a notas metalinguisticas ou a comentários para explicar a impossibilidade de tradução – mas acabando assim por anular a sua invisibilidade. O autor dá-nos ainda um exemplo curioso da tradução da obra Discours de la Méthode de Descartes. No último capítulo desta obra, Descartes afirma que o seu livro ‘está escrito em francês e não em latim’, frase que não poderia ocorrer na tradução desta obra para latim, porque resultaria numa contradição ou incongruência: o tradutor poderiaoptar por suprimir esta passagem de modo a evitar o problema.
    Por fim, a terceira situação diz respeito à multiplicidade de factores que podem ocorrer num texto para os quais se pode tornar complicado encontrar soluções ideais. Para explicar a quantidade de factores que podem pesar sobre uma tradução, o dá o exemplo da obra holandesa Havelaar. Nesta existe uma personagem, de que até certo ponto não se sabe o verdadeiro nome, o que se sabe é apenas as suas iniciais, e com essas mesmas letras, um outro personagem, que está a tentar descobrir o nome da primeira, defende que atribuindo uma palavra diferente às iniciais estas formam um ditado popular holandês – uma tarefa complicada para um tradutor resolver -. Mas esta situação complica-se mais para o tradutor ao aperceber-se de que esta obra não é uma história ficcional, mas uma autobiografia do seu autor, e que os personagens que nela participam são personagens reais, o que imprime um cunho histórico à obra e limita muito a liberdade do tradutor para resolver os problemas que vão surgindo.   
Theo Hermans defende nesta obra que a voz narrativa do tradutor é por vezes impossível de esconder. E, se por um lado, o tradutor consegue por vezes produzir um texto “sem corpos estranhos”. por outro lado, por vezes é necessário que esse corpo estranho, essa voz, se manifeste para que o texto seja inteiramente – ou na maior medida possível – apreendido. E se para isso o tradutor tiver de rasgar a superfície textual manifestando-se através destas - e de outras – situações, assim terá de ser. Já que uma tradução, por mais que tente ser uma cópia exacta, vai ser sempre diferente do texto de partida.
   

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Parte final da tradução de Katherine Vaz

Na plataforma moodle já foi colocado uma proposta para a tradução das últimas páginas (29-32) do conto de Katherine Vaz. Espreitem lá e comentem aqui. Dão-se alvíssaras a quem descobrir o que é um "meat clapper in a bell of a bottle". Eu não sei.
(Foto: "A Capa da Rainha" - Festas do Divino Espírito Santo, Açores)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Todos os dicionários serão bem-vindos no teste

Bilingues, monolingues, de sinónimos, de flexão e regência de verbos, prontuários...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Aqui têm tradução de uma colega (Celina). Comparem, comentem, contestem, sugiram


Todas as marés revoltas remoinham a areia de margens contrárias

4 de Março de 1970
Hayward, Califórnia

Cara Irmã Lúcia,

            O meu pai está morto. Estou destroçada. Um padre aqui da Escola Secundária Bispo Delancy teve o DESCARAMENTO de dar a entender que o meu pai está no inferno por causa da forma como morreu. Aquele padre devia arder no inferno junto da minha mãe, que fugiu para Portland com um advogado & eu nunca mais quero falar com ela, não que ela chore por mim. NÃO VOU viver com a irmã do meu pai, a Tia Palmira, que vive na espelunca de Hayward. Ela TAMBÉM julga que o meu pai está no inferno e RECUSA-SE a deixar-me pronunciar o seu nome! Uma horda dos meus parentes decidiu que aos quinze sou demasiado nova para viver por minha conta (“nestes tempos hippies”) e portanto decidiram mandar-me para Macau! Tive de ir procurar o sítio no mapa!! Uma tia trombeteira qualquer de lá vai hospedar-me & nesta altura, tudo bem, não quero saber. Les Relatives tentaram animar-me, zoando sobre o castelo dela, grandes aventuras, blá blá. Só dizem isto porque todos eles inventaram que não têm lugar para mim. É bom que esse Castelo-Maravilha Chinês tenha uma ponte levadiça que eu possa levantar assim que estiver lá dentro.
            É má-criação tua não responderes às minhas cartas. Não acredito que não tenhas ninguém para te abrir o correio, ler as cartas em inglês, & meter as tuas fotos reluzentes num envelope para mandar aos que não TIVERAM A SORTE de testemunhar os seus próprios milagres.
            Presumo que se aos doze anos já se está a tagarelar com a Beata Virgo Maria, então a partir daí é sempre a descer. O que eu acho é que tu imaginaste um fogo-de-artifício sobrenatural e o mundo inteiro passou-se e tu já estavas demasiado metida naquilo tudo para voltar atrás. Diz qualquer coisa se vieres a Macau. Atira uma pedra por cima do fosso contra a ponte levadiça e pode ser que eu te oiça.
            Desculpe-me. Estou terrivelmente transtornada. Por favor – se é verdade que está junto do céu, peço-lhe pela chama que quase se apaga no fundo da minha alma... por favor diga alguma coisa em benefício do meu pai. Ele merece a claridade. A minha mãe já não. Ela está ocupada com a sua nova vida em Portland. Ela pulverizou o espírito do meu pai e deixou-nos sozinhos. Uma tarde, abri a porta da casa de banho e encontrei-o na banheira mergulhado em água vermelha e rosa, completamente vestido. Sequei-o e pus-lhe o seu fato de algodão preto & a camisa de lavanda & o colete de brocado (padrão de caxemira cor espuma-do-mar esverdeada). Ele tinha o peso da água por isso foi um grande esforço para mim, mas eu não me importei. Aparei-lhe a barba. O cetim enrugado do seu caixão parecia-se com as dobras que todos temos no cérebro. Dei-lhe um beijo de despedida à frente de toda a gente. Quando me tiraram de ao pé dele, eu tinha a tinta do seu rosto no meu e esfreguei-a contra a minha pele e por fim por fim fui escura como ele.

Atenciosamente,

Menina Lara Pereira



19 de Junho de 1979
Hayward, Califórnia

Minha cara Irmã Lúcia,
           
            O nome da minha filha é Blanca. Pesa dois quilos e trinta (nasceu um mês antes do tempo). A sua espinha é tão leve que se parece com bolas de sabão mal pegadas umas às outras. Quando chora por mim, todo o seu rosto se contorce, engelhado como uma flor de cacto.
            Jurei que nunca mais a incomodava, mas há algo nas suas memórias que não me sai da cabeça. Foi-lhe dado um vislumbre da beleza celestial de Maria para que pudesse suportar que ela lhe mostrasse o inferno. Disse que guardou as suas visões para si mesma e escolheu o silêncio... pois para quê descrever a agonia eterna? Começo a compreender. O paraíso veio ter comigo em Macau, numa casa no Monte da Penha. Mal consigo falar disto. O David tinha vinte anos. Vivia na casa da minha tia; era o filho da empregada chinesa dela e do marido da minha tia, que fugiu para Xangai quando o bebé nasceu.  A empregada morreu ao dar à luz. A minha tia criou o rapaz como seu servente.
            E então eu apareci.
            Uma vez que estávamos proibidos de nos falar, poderei confessar-lhe o fizemos?
            Falávamos por animais.
            Ficávamos em cantos diferentes da casa e os nossos dedos moviam-se como aranhas a andar à roda, porque tínhamos acumulado um frenesi de tanto esperar pela penumbra, para que pudéssemos começar os nossos teatros de sombras. Os animais dele cavalgavam os desvios da escuridão e da luz até chegarem a um canto da minha parede.
            Minha para sempre, diz o tigre.
            Eu vou devorar-te, responde o cão. (Ele ensinou-me a fazer um cão-sombra capaz de abrir os maxilares).
            Eu vou ser enorme, diz a lebre, e vou amar-te enormemente. Uma flexão sinistra.
            Tira-me a trela, clama o cão. A minha pele está fendida e eu vou abrigar-te e por onde vagueio os teus olhos estarão dentro dos meus.
            O peixe endoidece: monta as minhas costas e nunca te irás afogar!
            Trago o selo da espera na minha testa por causa do rapaz que me falava por animais; ele não podia esgueirar-se para dentro do meu quarto até à meia-noite.
            Lúcia, você foi condenada a uma espera de décadas pela próxima visita de Maria... e ela não a visitou. De outra forma poderia partilhá-lo com alguém, não é?
            O David morreu. Tenho de dizer que morreu por mim. Foi baleado e morto enquanto tentava nadar para o continente com um alfinete roubado à minha tia. Eu era para ir ter com ele depois de atravessar a fronteira por terra. Ele teve de ir por mar porque a fronteira entre Macau e a China é estreita e os guardas retiram os objectos de valor a toda a gente. Tínhamos planeado vender o alfinete do outro lado.
            Voltei para Hayward & aluguei um quarto do qual mal saí durante três anos & segui dactilografia para sobreviver. E então iniciou-se um novo capítulo: o nome do meu marido é Ray Garcia; é chefe de cozinha. A Blanca é o seu tesouro e o meu. Na cidadezinha que antes se chamava o Jardim do Éden (ha!) graças à abundância dos seus produtos: alcachofras, alperces, tomates, sal. A fábrica de conservas Hunts. Embora hoje em dia a minha terra natal seja andrajosa & combustível & angulosa & pobre de frutos.
            Escrevi um romance sobre a minha tia-avó que cresceu na sua zona & valeu-me uma posição de professora a oitenta quilómetros de auto-estrada, na Universidade de Redwood. Vou enviar-lhe uma cópia autografada. Na foto do meu pai, o rosto da Tia Mariana tinha uma racha que ia do olho esquerdo até ao queixo, como o leito de um rio seco, um golpe no qual se podia cair.
            Começo a perceber o significado da gripe que vitimou o seu Tio Francisco, no ano a seguir a ter presenciado o milagre. Ele ouviu mas não pôde ver a dádiva do céu. Pressinto-o na periferia do que sou hoje.
            A Prima Jacinta recebeu a visão mas não as palavras. Também morreu cedo.
            Mas você tem de durar em silêncio depois de conhecer a medida de tudo.
            Quanto nas nossas orações é apenas a exigência de que Deus o Pai mostre o Seu rosto de uma vez por todas e nos dê a lista do que queremos. Tal como as crianças queremos que a criação nos seja oferecida na sua forma perfeita e luzidia, e quando isso não acontece dizemos que Deus está morto e a criação não é assunto nosso. Começo a ver que isto é o nosso próprio medo de aprender a amar o mistério do mundo.
            Aqui está um fragmento de Português que ainda retenho: sonhos cor-de-rosa. O meu pai disse-me que é assim que se deseja bons sonhos a alguém: invoca-se o tom do céu quando a noite se une ao dia e a união sangra um pouco.
            Pink dreams, Irmã Lúcia... tenho de concluir. A minha filha está a acordar.

Sr.ª Lara Pereira

20 de Julho de 1985
Hayward, Califórnia

O artigo da Enquirer que me mandaste fez-me rir a bandeiras despregadas. Eu também estremeço ao lembrar-me da carta que escrevemos, quando as freiras nos mantinham sob o seu pulso de ferro. Santo Deus, não sei o que é mais risível, se a manchete: “Revelado pela Primeira Vez – O Terceiro Segredo de Fátima!” ou se a profecia em si. O apocalipse tornou-se tão invariavelmente banal e efabulatório! É óbvio que “milhões de homens morrerão de hora a hora,” e “fogo e fumo cairão do céu.” Que falta de especificidade. Eu exijo nomes, datas, lugares!
O ponto alto desta prosa infindável é a que se refere aos repórteres italianos que conseguiram este furo. Que o Papa não seja capaz de se conter e tenha mexericado A Grande Mensagem Secreta ao seu amigalhaço Padre Pio é desopilante. Para onde quer que se olhe o que se encontra é um alegre jogo da fama, inclusive entre os Beneficiários da Graça Divina (omissão). (Lembraste de como as freiras nos compeliam a invejar os estigmas do Padre Pio e os seus poderes telepáticos? Eu admito que os últimos parecem formidáveis.)
As configurações de culto que se formam à volta dos milagres – especialmente este (o nosso) – dão-me pele de galinha. Basta virar algumas pedras, e logo aparecem os enxames de fiéis, com o seu chinfrim e o palavreado anticomunista a dizer que Maria ordena que rezemos pela Rússia. Não sou a primeira a sugerir que a Lúcia pode ter entrado naquele terreno da histeria que é preferível não discutir, tu percebes, desejo sexual canalizado para os sítios errados e a rebentar num paraíso tecnicolor garrido. (Eu que o diga. Com a Gina com dois anos & a Blanca já com seis & o Ray a trabalhar à noite enquanto eu ensino durante o dia... bem, tu preenche o espaço preenche tu o espaço em branco & tenta imaginar a amofinação que esse espaço em branco é.) A Lúcia também é acusada de ser uma beata fraudulenta que só queria atenção, mas nesse ponto ela tem a minha solidariedade. Quem é que a pode culpar de ter desejos desmedidos? O que quer que ali se passasse, ela mandou-o cá para fora, forjou uma história, um céu reconfigurado, um evento que a história vai lembrar. Nada mau. Na foto da Enquirer, a pele dela tem um aspecto invulgarmente liso para alguém da sua idade. Pestanas negras como o carvão. Eu admito, Alice, ter-lhe enviado uma ou duas cartas ao longo destes anos – ela nunca me respondeu – mas vejo-a apenas como uma mulher trespassada por algumas horas assombrosas, de estalar toda a vida. Não é o que todos queremos? Mas sem o palavreio religioso.
Sim, publiquei o meu segundo livro. Poesia. Foi ao fundo. Estou cansada de ensinar e sou capaz de pedir uma licença para tomar conta da Gina. A Blanca finge que sou invisível.
É bom falar contigo outra vez. Podíamos fazer mais do que enviar postais de Natal. Manda-me notícias de Seattle & dos miúdos & do teu ex-marido quando quiseres (ha!) o ânimo impulsiona-te.

Afectuosamente,

Lara

P.S. Soubeste que a Maria tirou o curso de enfermagem e foi para a Guatemala? Estas foram as últimas novidades que recebi dela. Tens falado com ela?



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Quinta-feira, aula de substituição, sala 1.26

Também conhecida por "aquário", junto aos anfiteatros III e IV e aos gabinetes de informática, entrando por corredor à esquerda.
das 16 às 18h00.

domingo, 17 de outubro de 2010

Tradução das cartas restantes do conto de Katherine Vaz - para comentar


Na plataforma moodle poderão descarregar traduções das cartas restantes do conto de Katherine Vaz. Nos trabalhos, questões problemáticas de tradução vêm assinaladas com as cores do costume. Pede-se a todos os colegas que identifiquem alguns dos problemas e os comentem, como prática ao comentário que terão de fazer ao vosso próprio exercício de tradução no teste.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Onde podem trocar ideias e dúvidas relativas a exercício de tradução

Até ao dia 7 de Outubro, pede-se que leiam o conto de Katherine Vaz, "All Riptides Roar with Sand from Opposing Shores" e o traduzam, trocando dúvidas e ideias sobre dificuldades de tradução neste espaço. Aqui encontram informação sobre a colectânea Our Lady of the Artichokes, onde o conto foi publicado, e sobre a autora. O prazo para entrega dos trabalhos (por mail, para traduzirliteratura@gmail.com) foi prolongado para 12 de Outubro.

Sirvam-se. O espaço é vosso.