domingo, 15 de maio de 2016

Lista de verificação para tradução de humor (de Ana Cláudia, Ana Carolina, José Pedro)


Este estudo de Trajan Shipley Young tem como objectivo dar a conhecer a futuros tradutores o campo interdisciplinar do humor e proporcionar-lhes uma lista de pontos a ter em conta na tradução de textos humorísticos.








Factores Internos:
1)     Linguagem: contém toda a informação necessária para a verbalização do texto. Neste recurso interessam as variações na própria construção do texto, nas palavras que o constituem. Dada a riqueza de construções sintácticas possíveis numa piada (através de sinónimos, outra ordem de palavras, etc), qualquer piada pode, teoricamente, ser completamente re-escrita sem que se note qualquer mudança no seu conteúdo semântico. Dificuldades de linguagem em “Dialogue”: antonimia dos nomes das personagens, que constituem epítetos monossilábicos e rimam.

2)     Estratégia narrativa: Qualquer piada segue uma certa organização narrativa ou género. O estabelecimento dessa estrutura pode passar por um diálogo, uma charada, um monólogo interior, etc. Como tais estruturas tendem a ser independentes da linguagem, poderá não ser necessário alterá-la, excepto se a cultura de chegada não tiver no seu repertório de tipos textuais uma estrutura equivalente.

3)     Alvo: Uma piada terá um alvo, quer singular, quer colectivo, quer até ideológico, que é o objecto da sátira. Como um ou mais de tais elementos (étnicos, sociais, nacionais, internacionais, estereótipos de subculturas, etc.) diferem de cultura para cultura, importa ao tradutor a possibilidade de encontrar grupos com algum ou total grau de equivalência.

4)     Situação:  A situação é o contexto formado pelos elementos semânticos que constituem o quadro geral em que a piada toma lugar; as personagens, o(s) objecto(s) da piada, os instrumentos, as actividades, etc. Qualquer piada apresenta este recurso, apesar da sua importância humorística variar entre crucial e não-essencial. Quando não é essencial ou apropriada, uma boa estratégia passa pela substituição dos elementos que constituem a situação, mantendo os outros recursos da piada intactos;

5)     Mecanismo lógico: O mecanismo lógico é aquele que permite à piada uma resolução lógica das incongruências apresentadas pela mesma, daí derivando o seu humor. Há estratégias humorísticas que recorrem mais a este mecanismo, como os puns (jogos de palavras), enquanto outras se desenvolvem a partir da sua frustração (o nonsense)


6)   Guiões em oposição: Implica que o humor se desenvolve a partir de duas narrativas, geralmente paralelas, mas que são colocadas em relação para se desenvolver a piada.
O texto é compatível, totalmente ou em parte, com dois guiões diferentes.




Os detalhes da organização narrativa, da localização sócio-espacial e histórica, influem na descodificação do humor, sobretudo quando este transita para uma cultura e língua diferentes.


Factores Externos:
1)     Considerações sobre o período de tempo: Se o texto de partida contiver referências a eventos recentes há a probabilidade de o receptor perceber mais a referência. Há ainda o factor ofensa. Uma piada que seja aceitável num certo período pode não o ser hoje e vice-versa.

2)     Considerações sobre a classe social e educacional: Jogando com o factor interno do Alvo numa piada, note-se que uma piada também tem um público-alvo. Aqui, importa a adequação do contexto de uma piada ao público-alvo da mesma; uma piada sobre a internet não vai achar eco num público de pessoas sem acesso ou conhecimento da mesma.


3)     Decisões de sensibilização cultural: Põe-se a questão se certos elementos específicos de uma cultura devem ou não ser traduzidos para efeito de a piada ter o mesmo sentido.

4)     Informação sobre enquadramento da publicação: Tal como com textos mais sérios os média têm um papel importante no tipo de texto a ser traduzido, influenciando o tipo de tradução que será pedida ao tradutor. 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Tradução de início de "The Minotaur Takes a Cigarrette Break" de Steven Sherrill (2002)

Esta tradução é opcional: os grupos devem decidir se a querem fazer e, em caso afirmativo, qual o() colega mais necessitado(a) de melhorar a nota para figurar como redator(a) principal
Para traduzir o texto da p. 192-194.
E para colocar aqui as dúvidas.



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Calendarização e agendamento de trabalhos das últimas aulas


quarta-feira, 4 de maio de 2016

T. P. C. 10 de Maio Análise de texto para tradução - "The Coffee Exchange" (p. 175-179)

Ler o poema de George Monteiro "The Coffee Exchange" e isolar problemas de tradução (de diversos estratos - fonológico, lexical, sintático, pragmático...), oferecendo soluções possíveis - na caixa de comentários, por favor.

Trata-se de um contributo para tratamento de dados na base PEnPAL

The coffee shop, 

All those who would
Talk over coffee 


pornographic lode

II
hobnob

trading quips

III

every Tom, Dick and Harry
Gulled int omaking that dank journe of
Confrontation

Wasn't the Minotaur a
Pain in the bloody ass?

VI
... You died on script
And you lived to see the rushes.

chew the fact




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Mais info aqui.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dúvidas sobre tradução de "In Crete, with the Minotaur" (p. 172-173 da antologia)

Para traduzir tudo menos parte III.
Esta tradução tem um segredo, que contribuirá para aperfeiçoarem uma versão final... na aula da próxima Quinta, dia 5 de Maio.


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segunda-feira, 18 de abril de 2016

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Citação para comentar, Lawrence Venuti

The translator, who works with varying degrees of calculation, under continuous self-monitoring and often with active consultation of cultural rules and resources (from dictionaries and grammars to other texts, translation strategies, and translations, both canonical and marginal), may submit to or resist the forms, practices and institutions that have accrued the greatest prestige and power in the translated  language, with either course of action susceptible to ongoing redirection. Submission assumes an ideology of assimilation at work in the translation process, locating the same in a cultural other, pursuing a cultural narcissism that is imperialistic abroad and conservative, even reactionary, in maintaining canons at home. Resistance assumes an ethics of foreignization,locating the alien in a cultural other, pursuing cultural diversity, foregrounding the linguistic and cultural differences of the source-language text and transforming the hierarchy of cultural values in the target language.

Lawrence Venuti, The Translator’s Invisibility, 2nd ed. (NY: Routledge, 2008), p. 266

domingo, 10 de abril de 2016

Post for commenting on translation difficulties of "Ariadne's Thread"

Para traduzir, juntamente com a didascália inicial onde imaginam cenário, luzes, som, disposição e vestuário das personagens.
- desde o início até "Cause it's black as night" (p. 149 da antologia, primeiros seis versos)
- desde fala de ARIADNE: "I have all these (shrugging it off) important sounding names" (p. 150 da antologia) até fala de TESEU: "That's just a technicality" (p. 151 da antologia)
- desde fala de TESEU: "(recognizing the thread) That spool of thread!" até fala de TESEU: "He is like me — half mortal, half god." (p. 151 da antologia)
- desde fala de ARIADNE: "Theseus and I won't hurt you." até "Those hollow sounds, that feeble apology" (p. 152 da antologia)

Bom trabalho e muitas perguntas


Que visibilidade pode ter um tradutor?


"she'd turned into one of those tough Jersey dominicanas, a long-distance runner who drove her own car, had her own checkbook, called men bitches, and would eat a fat cat in front of you without a speck of vergüenza."
       Junot Diaz, The Brief Wondrous Life of Oscar Wao. NY: Penguin/Riverhead, 2007, 24-25.

"se había convertido en una de esas dominicanas duras de Jersey, corredora de largas distancias, con su propio carro, su propio talonario de cheques, que le decía «perros» a los hombres y se comía al que le daba la gana sin una gota de vergüenza, especialmente si el tipo tenía baro.*

* [ baro es dinero para la generación de los dominicanos de los ochenta]
Trans. Achy Obejas, La Breve y Maravillosa Vida de Oscar Wao. NY: Vintage Español, 2008, 26

quarta-feira, 6 de abril de 2016

T. P. C. 12 de Abril

Ler uma das seleções escolhidas, na antologia, de textos de Lawrence Venuti (The Translator's Invisibility, de 1995, ou Translation Changes Everything, de 2013 - caso se conheça o primeiro, então escolher o seguinte) e transcrever uma citação que se julgue desafiante para um pedido de comentário, explicando resumidamente porquê.


Ortrun Zuber-Skerrit, "From Page to Stage" (p. 143-147 antologia)

I. Processo comum à tradução interlinguística do texto literário (p. 144)
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1º - Análise preliminar para decidir se este vale a pena ser traduzido.
2º - Análise exaustiva do estilo e do conteúdo para determinar o que define este texto como literário e não como qualquer outra coisa.
3º - Acomodação ao texto compreendendo-se a origem deste.
4º - Reformulação do texto e sua transposição verbal, frase a frase, na língua de chegada, muitas das vezes alterando-se primeiras análises erróneas.
5º - Análise da tradução, a qual é corrigida (nunca menos de três vezes e com intervalos entre elas) pelo tradutor que, com a sua voz crítica, avalia a tradução tendo em conta o contexto cultural bem como o público-alvo e a sua função.
6º - Revisão e comparação por uma outra pessoa que esteja familiarizada com o texto de partida e que consiga compreender se os efeitos e funções foram alcançados

II. Processo de transposição de texto dramático para texto de representação (contando com encenação e caráter provisório do espetáculo) - caso se decida pela adequação do texto para ser levado à cena. Alternativas (p. 145)
1. Seguir (ou adaptar) uma edição publicada de texto de representação.
2. Produzir o próprio texto de representação. 
3. não seguir nenhum texto de representação prévio, abrindo espaço ao debate de ideias, ensaios e experiências do grupo de teatro
4. Combinar a terceira hipótese com a primeira ou a segunda.

p. 145: várias acepções de tradução (145-146, adaptado)
- interlinguística
- intercultural
- inter-periódica (de uma época para outra)
- inter-géneros e estilos (da prosa para a poesia, ou do realismo para o expressionismo)
- intermedial - do livro ao palco ou à TV ou à faixa de música
- multimodal (misturando o género musical com o teatro, por exemplo - a ópera)
- do conceito ao "happening"
- do verbal ao não-verbal (lembre-se a importância da linguagem gestual, cinética, e simbólica - de cores, vestuário, luz - em geral no teatro)
- inter-grupos (amadores, profissionais, atores de cinema ou teatro...)
- inter-públicos (do infantil para o adulto)

Aspetos específicos à tradução do drama

Diz-nos Zuber-Skerritt que um texto de representação deve ser representável e dizível (speakability). Dizemos nós (a prof. e umas coisas que leu), que:
 - o respresentável pode incluir gestualidade, interação entre personagens, tipos de frase e orações, referencialidade textual, e ainda sugestividade cénica, captação do público.
- o dizível relaciona-se mais com características de oralização e articulação (evitar cacofonias, palavras longas com vogais fechadas, atenção aos dialetos, idioletos, etc.), mas também com respiração (breathability)



Citação de George Steiner para comentar

“I believe that ‘theories of translation’ are an arrogant misnomer. The concept of ‘theory’, entailing as it must that of crucial experiments and falsifications, is, as I have said, when invoked by the humanities, largely spurious. Its prestige in the current climate of humanistic.academic studies derives from an almost pitiable endeavor to ape the good fortune, the public status of the pure and applied sciences. The diagrams, the arrows with which ‘theoreticians’ of translation adorn their proposals are factitious. They can prove nothing.”

Steiner, Errata. New Haven and London: Yale University Press, 1997.

terça-feira, 5 de abril de 2016

TPC - 7 de Abril - Tradução para o Palco

Partindo da leitura de "Translation Science and Drama Translation" de Ortrun Zuber-Skerritt (1984; antologia pp. 143-147) assinale, comentando, alguns aspetos que lhe pareça essencial levar em conta na transposição para o palco (N. B.: há aspetos intra- e interlinguísticos)



quarta-feira, 30 de março de 2016

TPC - 4º TTP de Tradução, Edgar Allan Poe - "The Tell-Tale Heart"

Coloco aqui dúvidas de tradução sobre excerto que vai desde o início (p. 123 antologia) até "bottom of the soul when overcharged with awe" (p. 124)

by Annette Jung (2006)

Tradução de Literatura Infantil segundo Cecilia Alvstad (2010)












segunda-feira, 28 de março de 2016

T. P. C. para 31 de Março (desafio de tradução)

Tentar traduzir (ainda que à pressa) o excerto do capítulo sete de "Errata" de G. Steiner, que vai desde "I believe that 'theories of translation'" (p. 138 da antologia, 109 do texto) até "richer, more fulfilled than before" (p. 140 da antologia, 112 de texto).
Comentar sobre as principais dificuldades e os seus porquês.


quarta-feira, 23 de março de 2016

Dúvidas excerto para traduzir: "The Minotaur" de Nathaniel Hawthorne (1853)

Começando pela p. 112 da antologia (50 do texto):
de "We are now," said Ariadne, "in the famous labyrinth"... até "such a monster should have the audacity to exist" (p. 51 do texto)
da p. 113 (p. 52 do texto): desde "Sure enough" até "being so" (uma frase) e desde "Ah, the bull-headed villain!" (p. 53 do texto) até "as this poor monster was" (um parágrafo).
Usem o post para colocar dúvidas.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Procedimentos (Vinay e Dalbernet) e estratégias de tradução (Chesterman)

Procedimentos segundo VINAY E DALBERNET 1995

1. Tradução Direta
1.1. Empréstimo
"thistles in the cotton gardens" - "cardos nos jardins de algodão"
1.2. Decalque
"unchauffeured" - "sem chauffeur"
1.3. Tradução literal
"the leopards of / Dedza hills" - "os leopardos dos / montes de Dedza

2. Tradução Oblíqua 
2.1. Transposição (mudança de classe morfológica de palavras)
a) obrigatória "where burning cowdung // stuns the mosquitoes" - "onde bostas a arder // atordoam as melgas" [não é possível manter o adjetivo com o particípio presente sem que se perca parte da compreensão; seleciona-se, portanto, a infintivo com valor de modificador - bostas a arder; ou uma passiva perifrástica: "onde se queima a bosta // para espantar as melgas")
b) opcional: "his typists whoring" - "as galdérias das datilógrafas"
2.2. Modulação: muda o ponto de vista semântico do TP e também pode ser obrigatória (quando a língua não admite a construção; por ex., "they were paraded" por "fizeram-nos desfilar") ou opcional, quando associada a convenções idiomáticas da língua, como em "The place is full of beggars" por "É um sítio cheio de mendigos" ou "Aquilo está cheio de mendigos"). No campo do respeito pelas convenções idiomáticas, várias mudanças são contempladas, desde a mudança de símbolos ou do mais geral  ao mais preciso entre partes associadas a um campo semântico (ex. "is going shit" por "não vale um cu"), à negação do contrário (ex. "He is no different" por "ele é igual aos outros"), etc.
2.3. Equivalência: descreve-se a mesma situação através de meios linguísticos ou estruturais diferentes: exs. "at the black door or her hut" por "à porta negra da barraca" ou "his paunch his heavy, his suit sweat-stained, he smells" por "a pança farta, o fato suado, ele fede".
2.4. Adaptação: "the leopards of / Dedza hills" por "os figurões dos / montes de Dezda" (sucede sobretudo em referências de ordem cultural)

Estratégias segundo CHESTERMAN (2002)

1. Estratégias Sintáticas
1.1. Tradução Literal (ex. - ver acima 1.3)
1.2.  Empréstimo e Decalque (ex. - ver acima 1.1. e 1.2. - atenção que esta estratégia é sobretudo lexical e não propriamente sintática)
1.3. Transposição (ex. - ver acima 2.1.)
1.4. Mudança de unidade (a "unidade" varia consoante o excerto de texto a traduzir; pode ser uma expressão ou sintagma, uma oração, uma frase, um parágrafo, etc.)
a) Mudança de unidade sintagmática (ao nível do sintagma): por ex. introdução do artigo em "A tradução literária é um ramo da literatura" para "Literary translation is a branch of literature" ; ou troca de sintagmas como "Ela viu-o erguer-se e ele agora cai" para "She has watched him rise and now he falls"
b) Mudança de unidade oracional (ao nível das orações): por ex: "O seu azedume vê agora / o que ele não viu na sua visita ministerial" por "What he didn't see in his ministerial visit, his bitterness now sees."
c) Mudança de estrutura frásica (ao nível das frases). Por ex: "Ela viu-o erguer-se e agora ele regressa" para "She saw him rise. Now he returns."
1.5. Mudança de coesão: ao nível dos conectores frásicos, pronomes, referências intra-textuais. Ex.: "As crianças pavoneiam-se atrás dele. Resmunga" para "The children swagger in his wake. He mutters" ou Que acaso / o permitiu ou que apetites o impeliram" para "What accident / permitted it or what appetites propelled"; ou "ela aguarda o filho" por "she awaits her son".
1.6. Mudança de nível - um aspeto específico do significado passa de um nível/estrato ao outro (por exemplo, da morfologia para a sintaxe em "sem Benz" por "Benzless").
1.7. Mudança de esquema: mudanças de paralelismo, esquema métrico ou rimático. Ex.: "Mandou chamar Dédado... e convocou Teseu" por "She sent for Daedalus... and she sent for Theseus"

2. Estratégias Semânticas 
2.1. Sinonímia - escolha de um sinónimo que não seja o equivalente óbvio (para evitar repetição, por exemplo, mas também por questões prosódicas, como em "azedume" por "bitterness" em vez de "amargura").
2.2. Antonímia: traduz-se pela positiva o que está na negativa, ou vice-versa. Ex. "Ele era igual aos outros" por "He was no different".
2.3. Hiponímia: mudança da parte pelo todo, ou vice-versa, ou de uma parte por outra contígua. Ex.: "Fechou-lhe a porta na cara" por "He shut the door on his nose".
2.4. Mudança de abstração: do abstrato ou mais concreto ou vice-versa. Ex.: "a difamação das secretárias" para his typists whoring
2.5. Mudança de ênfase: muitas vezes é uma mudança de foco temático (troca-se tema por rema, por ex., "Ela sabe os acasos que o permitiram, os apetites que o impeliram") ou pode também resultar de uma tentativa de equivalência (ex. "Ministering" por "Serviço à Nação").
2.6. Mudança de tropo: mudanças no uso de recursos expressivos (ex. "Os predadores dos / montes de Dedza" [mais coerente] por "The leopards of / Dedza hills" [mais metafórico])

3. Estratégias Pragmáticas
3.1. Filtragem cultural: o mesmo que naturalização, domesticação ou adaptação. Ex.: "os manda-chuvas dos / montes de Dedza" para "the leopards of / Dedza hills"
3.2. Mudança de explicitação: torna explícito o que no TP é implícito. Ex.: "As crianças seguem-no com ares de importância" para "The children swagger in his wake".
3.3. Mudança de informação: adição ou subtração de informação. Ex.: "A vela negra do barco com a sua carga de tristeza" por "The black sail which the ship with its cargo of misery always carried".
3.4. Mudança interpessoal: altera o grau de formalidade, as relações entre personagens, a relação entre narrador e narratário. Ex.: "Na verdade, era um monstro horrendo." por "Sure enough, what an ugly monster it was!"
3.5. Mudança elocutória. Mudança de atos de fala, mudanças entre discurso direto e indireto. Ex.: "Ariadne sussurrou-lhe que aquele era o ruído do Minotauro" por "'That's the Minotaur's noise,' whispered Ariadne."
3.6. Mudança de visibilidade: mudança no estatuto da presença autoral (implíita) ou intervenção da voz do narrador. Ex. "Aceite-se a proposição" por "I'll start with the proposition".



 

segunda-feira, 14 de março de 2016

T. P. C. 17 de Março

Ler e tentar exemplificar estratégias de tradução segundo Andrew Chesterman, p. 86 e 87 da antologia. Usar a caixa de comentários.

Tendências Deformantes em Tradução Literária (por João Justa e Jorge Silva)



1. Racionalização
 Trata-se da recomposição de frases e sequências de frases, incluindo pontuação,  reorganizando-as de acordo com uma ordem discursiva mais aceitável na LC. Opera ao nível das unidades frásicas e oracionais, e prende-se com a sintaxe.
Exemplo: "O Minotauro era um monstro, meio touro, meio homem. Tinha nascido da relação entre Pasífae e um touro extraordinariamente belo."
The minotaur was a man, half bulll, half human, the offsring of Minos's wife Pasiphae and a wondefully beautiful bull.
"Das duas uma: ou foi a sua alegria pelo êxito da viagem que lhe tirou qualquer outra ideia da cabeça, ou o seu luto por Ariadne."
Either his joy at the success of his voyage put every other thought out of his head, or his grief for Ariadne.

2. Clarificação
Tem a ver coma perda de ambiguidade ou polissemia.
Parece ser um princípio óbvio para muitos autores que o texto de chegada seja mais claro que o texto de partida. Isto porque toda a tradução compreende um certo grau de explicitação, o que pode levar a uma manifestação de algo não aparente, escondido ou reprimido no texto de partida. No entanto, em tradução literária este aspeto é muitas vezes negativo porque torna claro o que não é suposto ser claro no texto de partida.
ex.:"trocaria a vela preta, símbolo do triste destino dos que eram levados naquele navio, por uma branca"
he would have the black sail which the ship always carried changed to a white one

3. Alongamento
O texto de chegada tende a ser maior do que o texto de partida, em resultado das duas tendências anteriores.
ex.:"Contudo, Teseu contou o seu plano ao pai..."
He told his father, however

4. Enobrecimento
Conhecido como poetização na poesia e retorização na prosa, promove a produção de frases elegantes utilizando o texto de partida como base ou matéria-prima.
 É um processo comum no campo literário e em ciências humanas, cedendo-se à tentação de "melhorar" o texto de partida:
ex.:"O mar que o abraçou pela última vez ficou para sempre conhecido como Mar Egeu."
The sea into which he fell was called the Aegean ever after.

5. Empobrecimento qualitativo
Esta tendência refere-se à substituição de termos, expressões e figuras no texto de partida com equivalentes no texto de chegada mas sem o carácter rico e icónico contido nos termos, expressões e figuras dentro da sua cultura de partida [há, portanto, uma perda de iconicidade].
ex.: "as vendidas das secretárias"
his typists whoring

6. Empobrecimento quantitativo

Esta tendência trata da perda lexical. Na prosa existe uma certa proliferação de significados e cadeias significantes que são construídas a fim de terem um efeito de significantes múltiplos. Neste caso, descura-se o grau de sinonimia
ex.: "atirou-se para o mar de um alto penhasco e morreu. O mar para onde se atirou passou a chamar-se Egeu."
and he threw himself from a rocky height into the sea, and was killed. The sea into which he fell was called the Agean ever after.

7. Homogeneização: resulta da "maior parte das tendências do sistema de deformação" (Berman, p. 50) - o tradutor dá uma "penteadela" ao texto de partida.
ex. "Só ela ainda pensa que este mundo novo vai de mal a pior."
She alone still thinks this new world is going shit.

8.  Destruição dos ritmos

    A tradução defeituosa pode afectar consideravelmente o ritmo, através de revisões da pontuação, ou falta de atenção à reprodução de estruturas prosódicas.
ex. "Enche a sua obra de paragens e despistes repentinos / e com a grande incerteza de vários caminhos às voltas, / conduz para dentro e para fora."
He confounds his worke with sodaine stops and stays / And with the great uncertaintie of sundrie winding wayes / Leades in and out





9. Destruição de redes de significado subjacentes.
    É feito através do campo semântico.  Após longos intervalos, algumas palavras ocorrem de novo, ou ecoam expressões dentro da mesma gama de significados. Em alguns autores estes palavras representam obsessões, intimidades ou percepções particulares, todas distribuídas pelo texto, por vezes em capítulos diferentes. Esta rede mostra que os seus significados isolados não têm muito valor, o que acaba por fazer sentido é a ligação entre eles, demonstrando uma dimensão superior da obra. Se tais redes não forem transmitidas, o processo significativo do texto acaba por se perder.
ex. Ela estava muito enjoada, e ele deixou-a na costa para recuperar. (...) Um vento violento levou-o para longe.
She was extremely seasick, and he set her ashore to recover while he returned to the ship (...) A violent wind carried him out to sea. [perde-se campo semântico náutico]

10. Destruição dos sistematismos / padrões linguísticos

    A natureza sistemática do texto vai para além do nível de significantes, metáforas, etc, e estende-se para o tipo de frases encontradas, e o modo como elas são construídas.. A racionalização, clarificação e expansão, destroem tal natureza sistemática do texto, quando não consideram as regularidades de construção recorrentes. Uma consequência é que quando o texto traduzido é mais homogéneo que o original é igualmente mais incoerente e mais inconsistente.
ex. Mandou chamar Dédalo e disse-lhe que ele teria de mostrar-lhe uma maneira de sair do Labirinto. Foi falar com Teseu para lhe comunicar que...
She sent for Daedalus and told him he must show her a way to get out of the Labyrinth, and she sent for Theseus and told him...

11. Destruição de redes vernáculas ou a sua Exotização

    Redes vernáculas são o tipo de variantes e variedades linguísticas próprias de um determinado país, região ou cultura no texto.
    O método tradicional de preservar os vernáculos é feito através da sua exotização.
Exotização pode ter duas formas. A primeira, passa pelo procedimento tipográfico (Itálicos) que se usa para isolar algo que no texto de partida não tem a mesma saliência. A segunda forma consiste no acrescento deliberado de vernáculo, ou no seu exagero, a fim de tornar um texto mais “colorido”.
 Há também a rasura dessas redes vernáculas.
ex. a ganância dos grandes chefes dos Montes Dedza espezinha a terra.  
the leopards of Dedza Hills still comb the land

12. Destruição de expressões e idiomas

    A prosa é abundante em imagens, expressões, figuras, provérbios, etc,. A maior parte deles transitem um significado ou experiência que prontamente se pode associar a uma imagem, expressão, figura ou provérbio noutra língua.
O autor afirma que  procurar a equivalência pode constituir um ataque ao discurso exposto na obra estrangeira. Claro que um provérbio poderá ter os seus equivalentes noutras línguas, mas tais equivalentes nem sempre os traduzem adequadamente.
ex. Sinto-me triste porque a galinha da minha vizinha é maior do que a minha.
I feel blue because the grass is always greener on the other side of the fence.

 
13. Elisão de sobreposições linguísticas
     Qualquer romance é caracterizado por justaposições linguísticas, que incluem línguas, sociolectos ou idiolectos competitivos que o tradutor pode não ter em consideração, ou não conseguir transpor, ao traduzir para texto de chegada.
ex.: "Olhou para mim com os seus olhos azuis marejados de lágrimas e disse: — Vai tu, filha, Eu não sou capaz, desato a chorar."
He looked at me with his blue, teary eyes and said “You go, filha. I no can do that. I going cry.”

quarta-feira, 9 de março de 2016

T. P. C. - 15 de Março

Estudar texto de Antoine Berman, "Tradução da Letra Tradução do Sentido" (1997; antologia, pp. 76-81); procurar resumir para os vossos apontamentos as "tendências deformantes" em tradução literária; identificar, como comentário a este post, algumas em que vocês próprios incorreram no exercício diagnóstico.

domingo, 6 de março de 2016

TPC para 10 de Março - traduções do episódio do Minotauro por Ovídio

Escolha uma das traduções para inglês deste episódio segundo relato de Ovídio (antologia, p. 66-68), compare com a versão portuguesa (p. 65, a partir do v. 159) e comente qualquer aspeto que lhe pareça interessante.


quarta-feira, 2 de março de 2016

Landeg White

 retirado de landegwhite.com.

Usem por favor este post para colocar perguntas sobre os poemas p. 59-60 da antologia

Landeg White was born in South Wales in 1940, and named for his maternal grandfather. A preacher’s son, he spent his childhood in Cheshire, Glasgow and Hertfordshire before graduating from Liverpool University.

The first third of his professional life was played out in the University of the West Indies, Trinidad, where he was chief arranger for a steel band; in the University of Malawi, from where he was deported in 1972; in the University of Sierra Leone, where he wrote the detective novel Inspector Tucker & the Leopard men, and in the University of Zambia, where he was teaching when his first book V.S. Naipaul: a Critical Introduction, appeared.

The second third was played out at the University of York where he joined the Centre for Southern African Studies in 1980, becoming Director in 1984. Here, partly in collaboration with Leroy Vail, he wrote the books based on his African experiences – two Mozambican histories, the history of a village in Malawi, a study of southern Africa praise poetry, an anthology of African oral poetry (co-authored with Jack Mapanje) and three collections of his own poetry.

Since 1994, he has lived in Portugal where he teaches at the Universidade Aberta (Open University). Here, he has published a prize-winning translation of Camões The Lusiads, and four further collections of poetry, including Where the Angolans are Playing Football: Selected and New Poems and Arab Work.

The Collected Lyric Poems of Luis de Camoes was published by Princeton University Press in 2008. Singing Bass, a further collection of poems, appeared in 2009, and Livingstone’s Funeral, a novel, in 2010.

His biography of the idiosyncratic artist and soldier John Gabriel Stedman Studying to be Singular: John Gabriel Stedman, 1744-1797, is available as an Amazon Kindle eBook. His most recent publication is Translating Camões: a Personal Record.

His wife, Maria Alice, whom he met in Malawi is a professional pre-school teacher, and they have two grown-up sons. The younger works in the marketing services industry. The elder designed this web site.


Algumas especificidades da tradução de poesia


- transmissão escrita mas com origem na oralidade - aproximação à música / especial cuidado com a prosódia
- ênfase na polissemia, conotação e ambiguidade linguística
- relevo do significante, atingindo uma dimensão icónica ou emotivo-musical
- como traduzir a forma do verso (mimética, analógica, orgânica, ex-cêntrica?)
- recursos expressivos e colocações linguísticas
- problemas acrescidos de modificações sintáticas do inglês para o português, sobretudo devido a hipérbatos (inversão invulgar da ordem das palavras)


domingo, 28 de fevereiro de 2016

Susan Sontag, excerto de "Como se o mundo fosse a Índia" (The World as India)


Estratos: fonológicolexical; morfossintático; semântico; cultural; pragmático; convenções orto-tipográficas

Traduzir significa várias coisas, entre as quais / tem uma variedade de significados possíveis, entre os quais: [fazer] circular, transportar, disseminar / divulgar, explicar, tornar (mais) acessível. Irei começar pela premissa / proposição / teoria — pelo exagero / exagerada, dirão alguns – que por tradução nos referimos, ou podemos referirmo-nos,  à pequena percentagem de livros publicados que realmente vale a pena ler; ou seja, vale a pena reler. (…)

Certas escolhas que se podem considerar meramente linguísticas implicam sempre [omissão deliberada; redundância] padrões éticos, o que tornou a atividade de tradução, por si mesma, o veículo de valores como a integridade, a responsabilidade, a fidelidade, a coragem ou a humildade.

A tradução literária é um ramo da literatura — nada que se pareça com / tudo menos uma tarefa mecânica. Porém,  o que torna a tradução uma proeza / um empreendimento tão complexa(o) é o facto de responder a uma variedade de objetivos. r
equisitos / exigências que advêm/provêm  da natureza da literatura como uma forma de comunicação. o imperativo, quando se trata de uma obra considerada essencial, de a dar a conhecer ao mais vasto público possível.  a dificuldade geral de passar de uma língua para outra, bem como a intransigência de certos textos, que aponta para algo inerente à* obra [literária] e que está muito além de / totalmente alheio às** intenções ou à consciência do seu autor, que emerge quando se inicia o ciclo das traduções — uma qualidade que, à falta de melhor palavra, chamamos / designamos por traduzibilidade***.

Esta teia / este novelo de questões complexas reduz-se frequentemente ao eterno debate / debate permanente entre (os) tradutores — o debate sobre a literalidade — que remonta pelo menos à Roma Antiga, quando se traduziu a Literatura Grega / literatura grega para Latim / latim, e que continua a preocupar os tradutores de todas as nacionalidades (sendo que a este respeito há grande diversidade de tradições e preconceitos nacionais). O mais antigo tema de discussão sobre traduções é o papel do rigor e da fidelidade. Certamente que no mundo antigo houve tradutores que se regiam pelo padrão da estrita fidelidade literal (passando ao lado da eufonia!**). (...) De que outro modo explicar a insistente argumentação do próprio São Jerónimo****  (c. 331-420 d. C.) (...) de  que o resultado inevitável de se procurar uma reprodução fiel das palavras e imagens do autor era a perda do sentido e da elegância

* ex. de competência linguística
** ex. de competência de transfer
*** ex. de competência especializada
**** ex. de competência cultural

Sugestão de trabalho de casa / apontamentos para estudo: esta correção do exercício diagnóstico segue (de forma ligeiramente adaptada, nomeadamente no que toca à adição do estrato de "convenções orto-tipográficas) as categorizações de estratos para análise de texto em tradução literária e tipos de competência translatória propostas por João Barrento no capítulo "A Panela, o Cozido e o Caldo" de O Poço de Babel (2002). Para interiorizar estas categorias, sugere-se a criação de uma tabela, inserindo nela os elementos aqui destacados, bem como outros assinalados na correção individual de cada exercício.
 

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